UMA “PRAIA” QUE VAI ALÉM DA HOMOSSEXUALIDADE

"Vai muito além da sexualidade", diz Wagner Moura sobre "Praia do Futuro"

Wagner Moura destaca que “Praia do Futuro” é um filme sobre abandono

Para Wagner Moura, a produção “Praia do Futuro” não deveria chamar atenção pelo fato de seu personagem ser homossexual e, sim, por abordar a questão do abandono.  “O Brasil é, sim, um país conservador, e, para mim, isso [o personagem homossexual] não deve ser assunto. Para mim, que sou pai de três filhos, foi muito mais forte o abandono do Ayrton”, diz o ator.  Para ele, o grande público pode até se chocar com sua atuação, que contém cenas de sexo homossexual e nu frontal, mas ele não se importa. “A resposta sincera é que tanto faz”, ele resume.

Em “Praia do Futuro”, que estreia nesta quinta (15), Wagner Moura faz o papel de Donato, um salva-vidas na praia que dá nome ao filme. Após conhecer Konrad (Clemens Schick), a quem salva de um afogamento, ele deixa tudo para trás e vai viver em Berlim. Oito anos depois, é confrontado pelo irmão mais novo, Ayrton (Jesuíta Barbosa), que vai à Alemanha cobrar respostas pelo abandono.

De acordo com Moura, classificar o seu personagem no filme como gay é algo simplista. “Não é um personagem gay. É um personagem com tanta coisa… E entre elas, ele é gay. É só mais uma característica e não a identidade dele”, diz Moura, que completa: “Em certo aspecto, talvez seja o personagem mais parecido com o Capitão Nascimento que eu fiz. Um personagem homossexual, por exemplo, também pode ser viril e agressivo. O Brasil é sim um país conservador e pode haver uma reação, mas isso não deve ser assunto”.

B025_C040_0402PZCompanheiro de elenco de Moura, o ator alemão Clemens Schick concorda: “Você não pode rotular esses personagens de gays, mas vivemos em um mundo no qual ser gay é errado”, diz. “Por que ninguém pergunta como eu fiz para me preparar para interpretar um personagem heterossexual? Quero ser idealista e pensar que talvez, no futuro, esse tipo de pergunta nem seja levantada”. Segundo Clemens, as cenas íntimas com Moura foram naturais depois da amizade forjada entre os dois.

“A diferença produz tolerância”, afirma o diretor Karim Aïnouz, tanto sobre o tema do filme quanto sobre o fato de “Praia do Futuro” ser uma coprodução entre Brasil e Alemanha, países sem laços culturais muito diretos. Ele diz que não se sentiu fora de ambiente em nenhum momento. “Eu já passei por tantos lugares que nem sei mais o que são terras estrangeiras”.

“Para mim é um filme sobre raiva e tristeza, sobre como uma perda inicial produz muita dor, mas também vida”, afirma Aïnouz, que lidou com temas semelhantes em filmes como “Madame Satã” e “O Céu de Suely”. Ele diz também que considera “Praia do Futuro” seu filme mais ambicioso até o momento, pela narrativa cortada em dois países e momentos diferentes.

Veja o trailler.

Com informações do UOL

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