UM AVIÃO CHAMADO ÍSIS VALVERDE

IsisSereia1Hoje considerada um avião por onze entre dez homens brasileiros, a atriz Ísis Valverde viu sua sorte mudar justamente dentro de um desses bichões com turbinas que passaram a lhe adjetivar. Nascida em Belo Horizonte, mas criada na pequenina cidade mineira de Airuoca – de apenas 4 mil habitantes -, a Mulher do Ano de 2012 eleita pela revista GQ Brasil havia acabado de deixar de ser a última garota da turma que nunca havia beijado na boca quando investiu na improvável carreira de fama e glamour que só podia contemplar na tevê, no cinema e nas revistas de celebridades. Aos 16 anos de idade, contra a vontade dos pais,  decidiu tentar a carreira de modelo na capital ao ser sondada por uma agência. Após alguns trabalhos que quase prejudicaram seus estudos, decidiu, aos 18 anos, correr atrás do seu sonho: ser atriz. A mãe chorou muito, mas incentivou a filha a realizar profissionalmente aquilo que ela, também atriz, vivenciava amadoramente na cidade onde vivia. Já o pai, queria que Ísis estudasse medicina em Belo Horizonte e, diante da sua persistência, decidiu     permitir que ela tentasse a sorte durante um ano na Cidade Maravilhosa: se não desse certo, voltaria para casa e encararia a carreira na área de saúde. Nesse período, passou a fazer testes para tevê e quase desviou o caminho ao receber uma proposta para modelar no Japão. Em novelas, por pouco não entrou em Belíssima, em 2005, mas perdeu o papel para a hoje colega Paola Oliveira. Triste e desiludida, encarou a realidade e estava quase certa de que o seu destino seria retornar às origens e enfrentar o vestibular. Foi quando pegou um avião do Rio para Belo Horizonte e viu sua sorte mudar acima das nuvens. Seu companheiro d eviagem era ninguém menos que Bruno Gagliasso, o ator com quem contracenaria no ano seguinte na sua primeira novela, Sinhá Moça. “O Bruno me incentivou a não desistir. Fiz um novo teste apadrinhada por ele e ganhei o papel de Ana do Véu”, comemora.

 

De lá para cá, Ísis decolou como um Boeing e alçoou voos altos. Com o sucesso da personagem que revela o rosto apenas no meio da novela, a jovem atriz emendou com uma participação especial na novela Paraíso Tropical e, logo depois, recebeu de presente a personagem que a consolidaria como uma profissional de grande talento em Beleza Pura. “A Rakelli foi um grande desafio. Eu tinha que manter a minha brejeirice natural com uma pegada carioca de sensualidade e humor. A sorte é que ela tinha muito de mim: era autêntica e sabia o que queria”, avalia a atriz, reconhecendo que a personagem interpretada lá em 2008 foi grande laboratório para que pudesse se jogar de corpo e alma nos universos das suas últimas personagens, as que lhe deram maior visibilidade e repercussão: a Suellen de Avenida Brasil e a personagem-título da minissérie O canto da Sereia, poucos meses depois. “Sair de uma para outra me exigiu muito esforço, mas eu tive a sorte de encontrar semelhanças entre as personagens. Ambas tinham aquela sensualidade toda escondendo personalidades frágeis”, observa.

Suellen e Sereia foram determinantes para atribuir a Ísis o rótulo de “avião” que entitula essa reportagem. A atriz, no entanto, rejeita, com bom humor, a etiqueta de mulherão. “Fala sério, sou pequena e nem tenho silicone”, desconversa,  bem-humorada como suas encarnações mais lembradas pelos homens de plantão.

Com oito anos de carreira na televisão e 25 anos de idade, Ísis é hoje uma atriz quase completa. São seis novelas, uma minissérie e um episódio de As Brasileiras, interpretando personagens completamente diferentes uma da outra. Oscilando entre a menina e a mulher, fez a donzela escondida pelo véu, a prostituta de rua, a suburbana que sonha em ser dançarina do Caldeirão do Huck, a cosmopolita que se rende à cultura indiana por amor, a piriguete que não tem vergonha do que é até chegar ao ápice ao dar vida a uma poderosa e aclamada cantora baiana de axé. Em 2011, enquanto ainda se despia da mocinha Marcela de Ti Ti Ti, Ísis estreou no cinema com o mesmo pé direito que marcou seus passos na calçada da fama. A atriz foi escolhida – após vários testes – para dar vida a uma personagem que muitas um dia já pensaram em interpretar: a jovem Maria Lúcia, “a menina linda para quem João de Santo Cristo prometeu seu coração e que fez com que se arrependesse de todos os seus pecados”, conforme dita a lendária letra de Faroeste Caboclo, a canção-saga que a Legião Urbana transformou em hino de uma geração. “Eu sempre me arrepiei com Faroeste Caboclo. A música na canção marcou minha infância e adolescência. A gente se reunia para ouvir música, eu pegava os CDs da minha mãe e a gente brincava de quem conseguia cantar sem errar”, conta ela, que definiu a personagem – uma moça branca e rica que se envolve com um cara negro e pobre – como “um passarinho preso” cuja gaiola é aberta pelo João para que ela possa voar um pouco”.

Em sua estreia no cinema, Ísis viu novamente o caminho ser aberto por um avião. Afinal de contas, o longa de Renê Sampaio (veja matéria sobre a obra cinematográfica ainda neste número) é ambientado no Distrito Federal, com ações acontecendo em torno das asas e eixos de Brasília. Para compor com mais verdade a personagem, a atriz armou alojamento na capital, a fim de respirar o ar, sentir o clima e a atmosfera da cidade que inspirou Renato Russo na criação da personagem. Ísis foi ao Congresso Nacional conversar com políticos, esteve na UnB falando com professores e alunos, visitou amigos e parentes de Renato Russo, frequentou boates, caminhou pelas quadras do Plano Piloto e conversou com pessoas que passavam pela rodoviária. “Foi uma decisão muito acertada passar esse tempo em Brasília. Eu precisava ter essa proximidade com a rotina de um brasiliense para entender melhor a vida que eu ia absorver como minha. Eu me tornei, de fato, a menina rica filha de uma autoridade política que se envolve tão profundamente com o João de Santo Cristo que eu conheci lá em Airuoca, na minha raiz”, revela a atriz, que agora está descansando um pouco sua imagem na televisão e tem planos para atuar no teatro. Quando fizer o check in nos principais palcos do país, voando de um lado pro outro Brasil afora, aí, sim, ninguém poderá dizer que não é uma atriz completa.

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