TIAGO IORC – UMA ODE AO CORDÃO UMBILICAL

TiagoIorc2A primeira vez a gente nunca esquece. Para o brasiliense de nascimento Tiago Iorczeski, a sua última visita a Brasília ganhou esse gostinho de estreia. É que o rapaz de 26 anos nunca viveu na cidade natal e só esteve na Capital Federal duas vezes, já adulto, para fazer apresentações como o músico Tiago Iorc. E nem cogitava fazer o reconhecimento turístico da área até que topou o desafio da REVISTA NARCISO e seguiu com a equipe de reportagem para ser fotografado em um dos nossos monumentos mais emblemáticos: a Catedral Metropolitana. “Foi uma experiência bacana. Agora posso dizer que sou turista na cidade onde nasci”, narrou o artista, que veio ao mundo em terras candangas por acidente, já que a família, gaúcha, vivia aqui, e, quando ele tinha poucos meses de vida, seguiu para a Inglaterra.

O pai de Tiago, engenheiro agrônomo de Passo Fundo (RS), viveu em Brasília por apenas três anos. Quando o caçula dos quatro filhos nasceu, já estava com mudança marcada para a Europa, sempre a trabalho. Lá, o garoto viveu até os quatro anos de idade e foi alfabetizado em inglês, sem imaginar que, anos mais tarde, iria se tornar um músico brasileiro que compõe e canta em língua estrangeira. Essa característica, inclusive, gerou muita confusão no início de sua carreira e, ainda hoje, após cinco anos, muitos espantam quando descobrem que o dono de sucessos como Scared, Blame e Story of a man é tão brasileiro quanto Michel Teló. “Mesmo tendo sido alfabetizado na Inglaterra, eu aprendi a língua materna em casa, com a família, e sou bilíngue. Só canto em inglês porque faz mais sentido pra mim. Foi uma decisão minha que a gravadora acatou”, explica o rapaz, que, com exceção de um período de dois anos que morou nos Estados Unidos, passou a maior parte de sua vida no Brasil, entre Rio Grande do Sul e Paraná. “Houve confusão inicial, sim, mas o público aceitou bem”, avisa.

Tiago falou com nossa reportagem no dia seguinte ao seu show na Capital Federal, para uma plateia pequena, de apenas 300 espectadores, no teatro do próprio hotel onde se hospedou, à beira do lago Paranoá. Nada comparado com as mais de 10 mil pessoas que já o assistiram em um festival na Coreia do Norte, mas, para ele, o contato mais intimista nas duas únicas apresentações que fez na cidade – “Na primeira, realizada no final do passado em uma livraria no shopping, o público foi bem menor” –, aliado à foto na Catedral formou o casamento perfeito com o seu novo álbum, que lançou recentemente, chamado “Umbilical”. O nome faz uma analogia ao conceito de gestação, e, segundo o músico, “aos cordões imaginários de conexão com os elos da vida cotidiana, numa referência aos sentidos essenciais da vida, como a família, o amor, o desapego, a mudança”. Não poderia ser mais apropriado para o retorno deste brasiliense acidental à cidade onde nasceu, já que, assim como muitos brasileiros, Tiago tem como referência de Brasília apenas o que os noticiários transmitem. “Sempre fiz ligação da Capital com a política. Como acompanho o tema de longe, fiquei esses anos todos sem me interessar pela cidade. Acho que nem amigos aqui minha família deixou. Agora vou poder conversar mais com minha mãe sobre o local onde fui concebido e gestado”, ele comemora, sem carregar na bagagem nem mesmo a influência do rock nacional nascido, como ele, na capital da República. “Admiro o pessoal, mas o rock nacional não é a minha referência musical. Na adolescência fui bem Guns´n Roses, mas hoje sou mais Radiohead”.
O reflexo da fama

A repercussão mundial da carreira artística de Tiago Iorc teve início em 2007, quando compôs uma música para um festival universitário em Curitiba – onde estava morando para estudar Comunicação Social depois de desistir da faculdade de Música por “preferir praticar em vez de aprender teoria”. A gravação caseira e despretensiosa do garoto que tocava em bares foi passando de amigo pra amigo até que caiu nas mãos de um estagiário da gravadora Som Livre. Era Nothing but a song, que entrou na trilha de “Malhação” e foi seu pontapé para o sucesso. Aos 22 anos de idade, o rapaz reservado, de poucos amigos, conheceu a fama de forma meteórica e avassaladora. “Essa exposição que compromete a privacidade é a mesma que possibilita com que muitas pessoas conheçam o meu trabalho. Mas pra mim é estranho essa coisa de ser famoso. Não acho que faça sentido tanto interesse das pessoas por minha vida. Sou apenas um cara que faz um som”, desabafa o jovem, que se formou publicitário e usa as redes sociais para divulgar seu trabalho. “Eu até interajo com fãs, mas evito exposição da vida particular. Quero dividir minha música com as pessoas, só isso”.

O que pode parecer esnobe é apenas a declaração de um garoto que se viu adulto da noite para o dia. Embora no cotidiano sinta o assédio nas ruas – principalmente feminino e por suas músicas em trilhas de novela e do filme recordista de bilheterias “Se Eu fosse Você 2” -, Tiago não é do tipo de astro que precise andar rodeado de seguranças. Diz que atende todos os fãs nos shows e apresenta-se bastante acessível ao público. Tanto que não hesitou em entrar no carro da reportagem e nos acompanhar para a sessão de fotos sem levar consigo nenhum membro do seu staff. “Sempre mantive o pé no chão para evitar os excessos. A verdade é que eu acho que tenho o perfil de quem trabalha nos bastidores. Não gosto de ser centro das atenções”, resume ele, que já fez turnê em vários países e tem sucesso também no exterior.

Tiago diz não permitir que a fama atrapalhe a rotina de um jovem da sua idade. “Mantenho vida normal. Evito badalações por não gostar mesmo, curtindo mais programas culturais, como cinema e exposições de arte”, observa o cantor, que trocou a vida agitada do Rio de Janeiro pelo sossego de Curitiba, cidade que decidiu acolher como sua e onde vive sozinho. Quando a saudade aperta, visita os pais no Rio Grande do Sul. Este é o momento em que aproveita para se deliciar com a combinação de arroz, feijão e carne moída que a mãe prepara. “Amo comer. É minha maior extravagância”, conta Tiago, que, em casa, gosta de cozinhar para a namorada as receitas que aprendeu, como lasanha de berinjela. “Sou glutão. Mas eu me cuido, também como verdura e legumes. Por isso sou magrelo”, ele ri, do alto dos seus 1,86m e 80 kg, mantidos com exercícios físicos domésticos. Tiago diz que gosta de esportes – como futebol e basquete -, mas não tem praticado muito e nem é torcedor fervoroso. “Por influência da família, tenho tendência a torcer pelo Grêmio”.

Responsável por causar comoção principalmente nas adolescentes, Tiago diz que hoje seu público já é misto. “Antes quem me seguia era muito teen, por causa da ´Malhação´, mas hoje essa turma já cresceu. Os namorados que acompanham as meninas também curtem meu som”. Sobre sua relação com o espelho, o rapaz diz que não se acha bonito e nem ligado é moda. Mas tem estilo próprio, uma coisa meio londrina, levando para os shows o que usa no dia a dia. “Não abro mão do meu All Star e da T-shirt básica”, registra.

Sobre sua experiência nômade, Tiago revela que tem vontade de buscar outro estilo de vida fora, mas não tem nada contra o Brasil. “O País tem tudo para ser melhor, se o povo se envolver mais. Mas não acredito que a geração atual viva alguma mudança significativamente positiva”, finaliza.

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