JAIME RECENA, POUCA IDADE MUITOS NEGÓCIOS

JaimeRecena por NilsonCarvalhoCom pouco mais de 30 anos, Jaime Recena já acumula muita história para contar. Ao contrário de boa parte dos jovens brasilienses, nunca quis ser servidor público e começou a vida profissional muito cedo. Aos 20, passou a conduzir, junto com outros sócios, a revista Roteiro Brasília. Publicitário formado pelo UniCeub, passou um tempo na Europa, onde trabalhou como barman em diversos bares e restaurantes e, de volta para casa, resolveu ingressar no mercado gastronômico. Hoje, o jovem empresário é sócio de um restaurante, mas decidiu investir na política por considerar que pode fazer algo mais para a sociedade brasiliense. Em sua primeira candidatura para deputado distrital, recebeu 1.709 votos, não foi eleito, mas se tornou presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF), onde pretende fazer diferença, principalmente deixando Brasília mais apta a receber, já em 2013, a abertura da Copa das Confederações.

A jornalista Eliana Buchaul aceitou o desafio imposto pela REVISTA NARCISO de retomar o ofício da reportagem, após seis anos de assessoria de imprensa, e foi conhecer um pouco mais esse botafoguense que acumula quase 3 mil amigos no Facebook, tem prazer em viajar, joga pôquer como esporte e, mesmo com condições de adquirir sua independência habitacional, ainda mora com a mãe por prezar o convívio familiar. A repórter – muito bem casada, vale frisar – saiu da entrevista encantada.

Brasília vai receber já no ano que vem a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo. Você acha que dá tempo da cidade se preparar?
Eu acho que dá tempo. É claro que existem problemas, como em qualquer evento que você for fazer, desde uma festa infantil para seu filho até um evento internacional você vai ter problemas e coisas para resolver. Eu acho que Brasília tem coisas para melhorar ainda, mas eu penso mais no lado positivo da Copa. Eu vejo primeiro uma grande oportunidade, que é se mostrar para o mundo numa agenda positiva. Um evento como esse pode colocar Brasília num outro patamar. Governos, empresários, brasilienses, as pessoas que moram na cidade devem tirar proveito.

E você acha que empresários e trabalhadores do setor de serviços estão preparados para essa demanda?
Então, aí é o segundo momento. Tem muita coisa que depende da gente, do nosso desempenho, do nosso lado empreendedor. Eu não tenho que ficar esperando ninguém fazer nada por mim. Eu é que tenho que saber o que eu quero com essa oportunidade que está na minha frente. Um dos grandes legados que a Copa pode deixar no nosso país, na nossa cidade, principalmente, é a questão do atendimento. Em Brasília, aconteceu um fenômeno. Por ser uma cidade ainda muito jovem, ainda em construção, houve uma evolução muita rápida no setor de gastronomia, de 10 anos para cá. Estávamos como sétimo, oitavo polo gastronômico do Brasil e hoje somos o terceiro consolidado. E aí, o que acontece? Quando temos esse crescimento rápido como ocorreu aqui, a mão de obra não acompanha, então se começa a ter uma defasagem. O grande legado que pode ficar é o investimento na qualificação profissional. O nosso setor tem emprego toda hora e, se a pessoa tiver interesse e for qualificada, não fica desempregada. Só que, infelizmente, vai ser muito mais fácil trazer universitários para este trabalho do que você ter que qualificar, em um ano, uma mão de obra que, muitas vezes não tem sequer o primeiro grau completo. As gorjetas gordas e a experiência seriam o atrativo.
O que despertou seu lado empreendedor?
Eu sempre tive um perfil mais empreendedor. Nunca quis participar de concurso público, por exemplo. Aos 20 anos, eu já trabalhava na área comercial de um jornal de maneira muita ativa. Acabei me juntando com outros dois jornalistas e montamos uma sociedade para tocar o projeto de uma revista, que sempre teve uma ligação muito grande com a gastronomia e, por isso, eu acabei conhecendo mais os chefes de restaurantes e fui estabelecendo uma relação de amizade com alguns deles. Algum tempo depois, eu fui convidado pelo Gil, que era dono da Pizzaria Baco e estava com um empreendimento novo, a Azulejaria, para fazermos uma sociedade, onde fiquei por dois anos. Depois a gente acabou readequando o negócio que virou Madrid, que era um bar de tapas, e que depois virou Parrilla Madrid, o restaurante que a gente tem até hoje. Foi assim que tudo começou (risos)… Com a revista, a sociedade e agora sou dono de restaurante.

E o lado político?
Eu faço parte do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e isso acabou despertando em mim o interesse político como jovem de Brasília, empreendedor que quer ver a cidade melhorar e eu acho que Brasília precisa apresentar para a população novos quadros políticos, gente comprometida com a cidade, gente que quer, de fato, ver mudança na forma como é feito a política e nos resultados que ela deve dar à população. Infelizmente, por conta de sermos a capital, termos aqui todos os políticos no Congresso, qualquer coisa de negativo que acontece toma grande proporção na mídia nacional e a cidade acaba ficando associada a isso. Principalmente num período em que os políticos estão desacreditados. É normal as pessoas pensarem que quando você decide entrar para a política quer tirar vantagem pessoal, e não, fazer alguma coisa pela sociedade ou pela sua classe. E eu acabei colocando minha vida voltada mais para o lado político lançando minha candidatura a deputado distrital. Eu não me elegi, mas entrei numa nova eleição, que foi a da Abrasel. E acabei conhecendo esse outro lado da política, que é o associativista, uma coisa ainda muito nova no País. Estou há um ano e meio já à frente da Abrasel e estou bastante feliz com o trabalho.

E com relação à política partidária, você pensa em se candidatar outra vez?
Eu tenho absoluta tranquilidade que, diferente daquelas pessoas que só reclamam, eu sou um cara legal, eu sou um cara correto, eu tenho uma história, tenho uma identificação com a cidade e coloquei minha cara a tapa, não fiquei em casa só reclamando que só tem político bandido. Eu me coloquei à disposição da sociedade para exercer um papel e estou me preparando para, possivelmente, fazer isso novamente. É uma decisão que quero deixar para tomar mais próximo, mas estou me preparando. Quero chegar ao final de 2013 em condições de decidir se quero ou se não quero, mas com muito mais bagagem, muito mais experiência do que tive na outra vez.

Brasília tem o que homens contemporâneos querem?
Tenho certeza que sim. Brasília tem excelentes opções de restaurantes e bares. Tem crescido muito as opções de lazer, de artistas internacionais que tem vindo à Brasília. Você tem ótimas oportunidades de trabalho. Brasília ainda é uma cidade de oportunidades. Mas tudo pode melhorar. Depende do que a gente faça para que as coisas melhorem.

Algumas pesquisas recentes mostram que muitos jovens bem-sucedidos que ainda não se casaram preferem continuar morando na casa dos pais. Você é um desses, já que ainda mora com sua mãe…
Eu gosto de onde moro. Há alguns anos tive oportunidade de investir na compra de uma quitinete ou dar entrada em um apartamento ou construir alguma coisa bacana em minha casa. E como eu tenho uma rotina de vida muito corrida, com muita frequência saio de manhã e só volto pela madrugada, acabo vendo muito pouco a minha mãe, meu irmão, minha família. Eu gosto do convívio familiar. E aí, se eu saio de casa, vou vê-los ainda menos, enquanto que, mal ou bem, estando em casa, eu os encontrono café da manhã, na hora da saída, então tenho esse convívio de alguma maneira. Além disso, temos uma relação ótima.

E o fato de morarem juntos não interfere em sua privacidade?
Não. Tenho privacidade total. Sempre nos relacionamos muito bem. É claro que há momentos em que eu gostaria de estar sozinho. Naquele dia em que deu tudo errado e você quer chegar ao seu canto e não ver ninguém, não ter que falar com ninguém, mas ao pesar os prós e os contras eu acho que tem muito mais a favor. Minha casa é uma casa legal, num bairro legal [o Lago Norte], onde tenho muitos amigos. Moro lá há 29 anos, quando ainda não tinha asfalto. Não tenho vontade de sair.

Como se diverte? Pratica algum esporte?
Jogo futebol uma vez por semana e pôquer.

Como assim? Pôquer é um esporte?
É um esporte. Inclusive a gente briga para que seja reconhecido como tal. Já tem vários estudos, até internacionais, que já classificam o pôquer como um esporte da mente, nos mesmos moldes do xadrez. Inclusive já está provado que não é um jogo de azar e sim, um jogo de habilidade intelectual. No nosso caso, temos um grupo de amigos que se reúne semanalmente, organizamos um churrasco e é um evento!

Tem alguma mania?
Tenho! Quando vejo jogo do Botafogo fico batendo na madeira assim, ó (bateu duas vezes na mesa com o dedo indicador) toda hora que o cara do outro time passa do meio do campo. Toda hora! Já tenho o dedo machucado aqui de tanto bater. Ah, e não passo debaixo de escada, de jeito nenhum!

Você é um cara que viaja muito. Tem alguma viagem de sua preferência?
A melhor viagem é sempre a próxima, né? (risos) Mas eu tenho algumas lembranças legais. Tive oportunidade de conhecer lugares diferentes, como foi quando estive na Rússia com meu pai, que trabalhava como correspondente. Teve uma que fiz, aos 19 anos, uma viagem bem bacana, eu e um amigo, a gente veio percorrendo de carro o litoral desde Jeriquaquara até Morro de São Paulo, na Bahia. Conhecemos várias praias, então foi uma viagem bem marcante.

Tem alguma que ainda planeja fazer?
Eu tenho muita vontade de conhecer o Egito. É um lugar que desde pequeninho sempre me impressionou, essa coisa de pirâmide, arqueologia… Ainda muito novinho, vendo filmes de Indiana Jones, queria ser arqueólogo, tinha um vizinho arqueólogo, então aquilo pra mim foi um momento e eu quero um dia poder ver de perto. Fui agora para a Polônia e Ucrânia, numa viagem que sempre quis fazer, para assistir a Eurocopa. Tive oportunidade de ver o que está sendo feito no evento e o que podemos trazer para Brasília e colocar em prática já no ano que vem. Essa é, na verdade, uma característica da vida empresarial, do empreendedor: quando você tem o seu próprio negócio acaba sempre ligado. É diferente de trabalhar em alguma coisa.

Você deixaria alguma mensagem para quem pensa em empreender?
A gente tem que estar sempre atento às oportunidades. E empreender no nosso país não é uma tarefa fácil. O Brasil não favorece os empresários. É um país inchado, com uma carga tributária altíssima e isso atrapalha muito o empreendedor. Mas, como tudo na vida, tem seu lado bom e outro ruim. Eu não troco a insegurança do empreendedorismo pela segurança do emprego público por uma questão de satisfação pessoal. Eu me realizo vivendo essa vida de “esse mês eu tenho, no próximo mês não tenho, e tenho que batalhar e correr e tal. Porque a vida do empreendedor, principalmente do empreendedor jovem, que começa do zero, não é fácil. Agora, com persistência, com honestidade, com ética, você trabalhando de maneira correta, o fruto vem. Não tem erro. A receita é simples: honestidade e trabalho e, em algum momento o negócio vira e dá certo.

Pra terminar, pretende ter filhos?
Não, não pretendo ter filhos. Não agora. Tô namorando, tô feliz… Deixa do jeito que está (risos).

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